Inteligência · Conceito
CEPIM é a lista das entidades sem fins lucrativos que estão impedidas de receber dinheiro federal. A sigla é de Cadastro de Entidades Privadas Sem Fins Lucrativos Impedidas, mantido pela Controladoria-Geral da União (CGU). Pense nele como o primo menos famoso do CEIS e do CNEP. Menos famoso, mas igualmente capaz de derrubar um convênio milionário. Se a sua empresa, a sua prefeitura ou o seu fundo vai repassar verba pública para uma ONG, esse é o cadastro que você não pode pular.
Por Equipe de Inteligência Sentinela · Publicado em · Atualizado em
Análise da equipe de risco e compliance da Sentinela, com base em fontes públicas oficiais. Como apuramos.
Resposta rápida
CEPIM é o Cadastro de Entidades Privadas Sem Fins Lucrativos Impedidas, mantido pela CGU. Ele lista as ONGs, associações e fundações impedidas de celebrar convênios e receber recursos federais por pendências em parcerias anteriores. É público e gratuito no Portal da Transparência, ao lado do CEIS e do CNEP.
Dado proprietário Sentinela
3.545registros de impedimento no CEPIM
Consolidado pelo Sentinela a partir de CGU / Portal da Transparência · atualizado em julho de 2026.
O CEPIM (Cadastro de Entidades Privadas Sem Fins Lucrativos Impedidas) é o registro oficial da Controladoria-Geral da União (CGU) com as ONGs, associações e fundações impedidas de celebrar convênios e de receber recursos repassados pela União.
Ele é divulgado no Portal da Transparência, lado a lado com o CEIS e o CNEP. Os três formam o trio de cadastros que qualquer pessoa séria consulta antes de assinar com uma entidade.
Repare numa palavra: entidades. O CEPIM não é sobre a padaria da esquina nem sobre a construtora que disputa licitação. Ele é específico do terceiro setor: associação, fundação, organização social, OSCIP. Quem vive de convênio e parceria com o poder público. É aí que ele morde.
Entra a entidade que tem uma pendência que a impede de receber recurso federal. Os motivos clássicos: prestação de contas julgada irregular, omissão no dever de prestar contas (recebeu a verba e sumiu na hora de mostrar o que fez com ela), débito com a União ou outra irregularidade prevista na legislação de convênios.
Um exemplo concreto pra fixar: a associação cultural que recebeu R$ 800 mil pra um festival, gastou, e nunca enviou a prestação de contas final. Passa o prazo, abre processo, e ela vai parar no CEPIM. A partir daí, qualquer novo convênio federal fica travado.
Detalhe que pesa: o impedimento pode atingir a entidade pelo que ela mesma fez, mas também há regra que alcança a entidade cujo dirigente responde por irregularidade em outra. Ou seja, a pessoa que comanda a ONG carrega histórico. Por isso, na análise séria, você olha a entidade e olha quem está na cadeira de gestor.
E não é carimbo eterno por capricho: a inclusão sempre vem de um processo administrativo, com prazo e direito de defesa. Saiu, regularizou, pagou ou venceu a discussão, sai da lista.
A consulta é pública e gratuita no Portal da Transparência da CGU. Você busca por nome da entidade ou por CNPJ. Sem login, sem custo, sem burocracia.
O pulo do gato: nunca leia o CEPIM sozinho. Uma entidade pode estar impecável no CEPIM e impedida no CEIS, ou registrada no CNEP por algum acordo de leniência de um parceiro. Olhar um cadastro só é como conferir a fechadura da porta e deixar a janela escancarada.
Consulta sempre por CNPJ quando puder. Nome de ONG é uma armadilha: existem dezenas de Instituto Esperança e Associação Beneficente São José Brasil afora. O CNPJ é o número que não mente, ele aponta a entidade certa e evita você punir (ou liberar) a errada por homônimo.
São três cadastros da mesma casa, a CGU, com focos diferentes. Confundir custa caro, então segue a régua.
CEIS: reúne quem está impedido de licitar e contratar com a administração pública. É o cadastro do fornecedor sancionado, a empresa que levou inidoneidade ou suspensão.
CNEP: registra as punições da Lei Anticorrupção (a Lei 12.846/2013). É onde aparece a empresa multada por corromper agente público e quem firmou acordo de leniência.
CEPIM: o nosso assunto. Lista a entidade sem fins lucrativos impedida de receber recursos federais por pendência em convênios e parcerias.
Resumindo no boteco: CEIS é sobre vender pro governo, CNEP é sobre ter corrompido o governo, e CEPIM é sobre não poder receber repasse do governo sendo ONG. Quem analisa risco de verdade olha os três, sempre, na mesma passada.
Se você é gestor público prestes a assinar um convênio ou um termo de fomento, a verificação dos impedimentos não é um capricho de zeloso: é parte do dever de cuidado com o dinheiro público. Repassar verba federal para uma entidade impedida é o tipo de erro que vira apontamento do Tribunal de Contas e responsabilização pessoal de quem assinou.
Se você é empresa que faz parceria com o terceiro setor (patrocínio incentivado, projeto social, doação via lei de incentivo), o raciocínio é o mesmo: você não quer o seu nome amarrado a uma ONG carimbada. O respingo reputacional é real, e o financeiro também, porque um projeto pode ser glosado.
Um caso que ilustra: a fundação que aparece bonita no site, com fotos de crianças e relatório de impacto, mas que está no CEPIM por contas irregulares de um convênio anterior. Sem a consulta, você descobre tarde, quando o recurso já saiu e a auditoria bateu na porta.
O CEPIM é um retrato do agora, não uma tatuagem. A entidade entra por um processo, com direito de se defender, e sai quando a causa do impedimento deixa de existir: prestou as contas que faltavam, quitou o débito, ou venceu a discussão administrativa ou judicial.
Por isso a consulta tem que ser recente. Aquele print que você tirou há três meses não vale nada hoje. Uma entidade que estava limpa pode ter entrado ontem, e uma que estava impedida pode ter regularizado na semana passada.
Pensa nisso como o exame de sangue: serve pro momento em que foi feito. Você não fecha um convênio de R$ 1 milhão com base num exame do trimestre passado. Refaz a consulta no dia da decisão.
Alguns padrões merecem o olho mais atento, mesmo quando a entidade ainda não está impedida.
Entidade recém-criada já disputando convênio gordo. A associação aberta há poucos meses que já pleiteia um repasse milionário é, no mínimo, motivo pra perguntas. Estrutura nova nem sempre é problema, mas combina mal com volume alto de verba pública.
Histórico de prestação de contas em atraso. Se a entidade já tropeçou em convênios anteriores, a chance de tropeçar de novo é maior.
Dirigente que aparece em outras entidades problemáticas. Lembra que a gestão carrega histórico? Cruze o CPF dos gestores. O mesmo nome à frente de três ONGs, duas delas com pendência, é uma bandeira amarela difícil de ignorar.
Entidade limpa no CEPIM mas com débito de Dívida Ativa ou pendência fiscal. O impedimento de receber recurso pode estar a um processo de distância. Olhar só o CEPIM, de novo, é olhar a fechadura e ignorar a janela.
Consultar o CEPIM à mão, um por um, no Portal da Transparência, funciona pra uma entidade. Não funciona pra a due diligence de uma carteira de parceiros, nem pra um onboarding com prazo apertado, e muito menos pra refazer a checagem todo mês.
O Sentinela consolida o CEPIM com CEIS, CNEP, inidôneos do TCU, Lista Suja e leniência por CNPJ, sem inferência por nome, e cruza com os sócios e dirigentes da entidade. A presença em qualquer um desses cadastros pesa no score de risco e aparece consolidada no dossiê, com a fonte e a data.
E tem a parte que ninguém faz no print: o monitoramento contínuo. Você verifica uma entidade hoje, ela entra no CEPIM daqui a dois meses, e o Sentinela te avisa. Você não fica refém de uma foto velha. A checagem deixa de ser um evento único e vira vigilância, que é exatamente o que uma decisão sobre dinheiro público pede.
O tema conectado as leis, orgaos, ferramentas e conceitos que o cercam.
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