Inteligência · Conceito

Programa de integridade: o que é e como montar (Lei Anticorrupção)

Programa de integridade é o nome oficial do compliance anticorrupção no Brasil. É o que a empresa monta para não virar manchete, o que pode reduzir a punição quando algo dá errado, e o que cada vez mais editais exigem para te deixar concorrer. Veja o que é, os pilares e como montar.

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O que é um programa de integridade

Programa de integridade é o conjunto de mecanismos internos de uma empresa para prevenir, detectar e corrigir fraude, corrupção e desvios de conduta. Está previsto na Lei 12.846/2013 (a Lei Anticorrupção) e detalhado no Decreto 11.129/2022, que lista o que um programa precisa ter para ser levado a sério.

É compliance com sobrenome: a parte voltada especificamente à integridade e ao combate à corrupção, sobretudo nas relações com o poder público.

Por que vale a pena (e às vezes é exigido)

Sob a Lei Anticorrupção, a empresa responde por atos lesivos cometidos no seu interesse, mesmo que a diretoria não soubesse. Ter um programa de integridade efetivo é um atenuante: pode reduzir a multa, demonstrar boa-fé e até pavimentar um acordo de leniência.

E deixou de ser opcional em muitos casos. Em licitações sob a Lei 14.133/2021, em contratos com estatais e em alguns estados, o programa virou exigência para concorrer. Resumindo: ele protege a empresa antes do problema e a defende depois.

Os pilares de um programa de integridade

O Decreto 11.129/2022 dá o roteiro. Os pilares, em linguagem direta: comprometimento da alta direção (o tom vem de cima, ou não vem); código de conduta e políticas claras; treinamento e comunicação; análise periódica de risco; controles internos; due diligence de terceiros; canal de denúncias que funcione e proteja quem denuncia; investigação e remediação dos desvios; e monitoramento contínuo de tudo isso.

No papel, todo mundo tem. O que separa o programa real do programa de fachada é se esses pilares funcionam quando alguém os testa de verdade.

Como montar um programa de integridade

Não se monta tudo de uma vez. O caminho que funciona: primeiro, a análise de risco, que diz onde a empresa está mais exposta (que áreas tocam dinheiro público? que terceiros são críticos?). Depois, as políticas e o código de conduta. Em seguida, o treinamento e o canal de denúncias. E, em paralelo, a due diligence dos terceiros. O programa cresce a partir do risco real, não de um modelo genérico baixado da internet.

O pilar que mais falha: a due diligence de terceiros

A maioria dos programas cuida bem do ambiente interno e tropeça na porta dos fundos: fornecedores, parceiros e intermediários. É por eles que o risco de corrupção costuma entrar, e é o pilar mais trabalhoso de manter. No Brasil, fazer essa due diligence é cruzar cada CNPJ com CEIS, CNEP, inidôneos do TCU, improbidade, dívida ativa, ambiental, listas internacionais e PEP, e com o quadro societário.

Programa de integridade, compliance e código de ética

Os termos se misturam, mas não são a mesma coisa. Compliance é o guarda-chuva da conformidade (trabalhista, fiscal, dados, e por aí vai). O programa de integridade é o recorte anticorrupção, com base legal própria. E o código de ética é só uma peça dentro dele, o documento que define a conduta esperada. Um código sem programa por trás é cartaz na parede.

Como o Sentinela sustenta o programa

O Sentinela automatiza o pilar de due diligence de terceiros: checa cada CNPJ contra todas essas fontes, cruza com os sócios, entrega um score de risco explicável e um dossiê auditável (a trilha que o programa precisa para se defender), e monitora a carteira de forma contínua, avisando quando um terceiro entra em uma lista. É o pilar mais chato de manter na mão, rodando sozinho.

Perguntas frequentes

O que é um programa de integridade?
É o conjunto de mecanismos internos de uma empresa para prevenir, detectar e corrigir corrupção e desvios, previsto na Lei 12.846/2013 e no Decreto 11.129/2022.
Programa de integridade é obrigatório?
Não há obrigação geral para toda empresa, mas é atenuante na Lei Anticorrupção e vem sendo exigido em licitações (Lei 14.133/2021) e em contratos com estatais.
Quais são os pilares de um programa de integridade?
Comprometimento da direção, código de conduta, treinamento, análise de risco, controles internos, due diligence de terceiros, canal de denúncias, investigação e remediação, e monitoramento.
Como montar um programa de integridade?
Comece pela análise de risco, depois as políticas e o código de conduta, o treinamento, o canal de denúncias e a due diligence de terceiros. O programa cresce a partir do risco real da empresa.
Qual a diferença entre programa de integridade e compliance?
Compliance é o guarda-chuva da conformidade. O programa de integridade é a parte voltada especificamente à integridade e ao combate à corrupção, prevista na Lei Anticorrupção.

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