Inteligência · Conceito
Pessoa politicamente exposta, ou PEP, é quem tem ou teve um cargo público importante, mais a família e o círculo próximo dessa pessoa. Não é acusação nem xingamento: é uma etiqueta de risco que obriga quem faz negócio com ela a olhar com mais cuidado.
Por Equipe de Inteligência Sentinela · Publicado em · Atualizado em
Análise da equipe de risco e compliance da Sentinela, com base em fontes públicas oficiais. Como apuramos.
Resposta rápida
Pessoa politicamente exposta (PEP) é quem ocupa ou ocupou nos últimos cinco anos um cargo público relevante, mais a família e os colaboradores próximos. Não é acusação: é uma etiqueta de risco. Pelas regras do COAF e do Banco Central, quem faz negócio com PEP precisa aplicar diligência reforçada.
Pessoa politicamente exposta (PEP) é quem ocupa ou ocupou, nos últimos anos, um cargo ou função pública relevante, além de seus familiares e de pessoas com relacionamento próximo.
A ideia por trás do conceito é simples: quem tem poder público nas mãos tem mais chance de ser alvo, ou autor, de corrupção e lavagem de dinheiro. Por isso o compliance trata o PEP como um sinal de 'olhe com mais atenção', e não como um culpado.
Os cargos relevantes incluem o presidente e os vices, ministros, parlamentares (deputados e senadores), governadores, prefeitos, secretários, magistrados de tribunais superiores, membros do Ministério Público e dos tribunais de contas, e dirigentes de estatais, de autarquias e de partidos políticos, entre outros agentes de alto escalão. É a lista que as regras de prevenção à lavagem (COAF e Banco Central) tratam como exposição política.
Mas não para na autoridade. A condição se estende aos familiares (pais, filhos, cônjuge ou companheiro e enteados) e aos estreitos colaboradores, como o sócio de um negócio em comum. É o jeito de fechar a porta dos fundos: o uso indevido de um cargo costuma se materializar por meio de gente ligada ao agente, não dele diretamente.
| Categoria | Exemplos | Observação |
|---|---|---|
| Chefes do Executivo e ministros | Presidente, vice, ministros de Estado | PEP enquanto no cargo e por 5 anos depois |
| Parlamentares federais | Senadores e deputados federais | Inclui suplentes em exercício |
| Judiciário, MP e Contas | Ministros de tribunais superiores, PGR, ministros do TCU | Alto escalão dos três poderes |
| Executivo estadual e municipal | Governadores, prefeitos, secretários | Inclui presidentes de tribunais de contas locais |
| Estatais, autarquias e partidos | Presidentes e diretores | Dirigente de partido é PEP |
| Familiares | Pais, filhos, cônjuge, companheiro e enteados | Acompanham a condição do agente |
| Estreitos colaboradores | Sócios e pessoas de relacionamento próximo | A porta dos fundos que a norma fecha |
As regras separam três tipos: o PEP nacional, ligado a cargos no Brasil; o PEP estrangeiro, que exerce função pública relevante em outro país; e os dirigentes de organizações internacionais. Para uma empresa com cadeia global, o screening precisa cobrir os três, porque a exposição de um sócio estrangeiro carrega o mesmo dever de cuidado.
A pessoa não deixa de ser PEP no dia em que sai do cargo. A condição costuma persistir por cinco anos depois disso, conforme a norma aplicável. E os familiares e próximos acompanham essa marcação enquanto ela durar.
Ser PEP não é crime nem impede ninguém de abrir conta, contratar ou fazer negócio. O que muda é o nível de cuidado: a Lei 9.613/1998 e as regras de PLD/FT obrigam instituições financeiras e vários setores a aplicar diligência reforçada quando o cliente, o sócio ou o beneficiário final é PEP.
Na prática, diligência reforçada é entender melhor a origem do dinheiro e acompanhar a relação de perto. O alvo não é a pessoa, é o risco.
Descobrir se uma contraparte é PEP é parte do KYC e da due diligence: cruzar nome, documento e vínculos com as bases de cargos públicos e com as listas oficiais, com cuidado para o homônimo: nome comum gera falso positivo, que precisa ser descartado por documento e contexto.
O Sentinela mantém mais de cem mil pessoas politicamente expostas mapeadas e faz o screening por documento e similaridade de nome, no mesmo fluxo que checa as sanções internacionais e as listas nacionais, com monitoramento contínuo para pegar a nomeação de amanhã. Se o sócio de um fornecedor é PEP, isso aparece no dossiê e pesa no score de risco.
O tema conectado as leis, orgaos, ferramentas e conceitos que o cercam.
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